Hoje eu estava no CFC tendo aulas sobre acidentes no trânsito. O professor
começou a falar sobre imprudências e de que as pessoas precisavam se conscientizar. Até aí tudo bem, concordo com ele. De repente, ele começou a falar que a culpa era do governo que não sabe punir, que são poucas horas de aula, que no Japão são 9 meses para tirar carta, que o Brasil é atrasado e todo aquele papo gostoso de ouvir às 8:00 da manhã.
Levantei a mão e disse "professor, você não acha que parte da imprudência é das escolas que vendem a carta? Se uma pessoa não consegue passar no teste, teoricamente ela não é apta a dirigir e pode colocar em risco a segurança pública. Se pensarmos dessa maneira, se um acidente for causado por uma pessoa que comprou a carta, parte da irresponsabilidade é da auto-escola que vendeu, não é mesmo?" Ele ficou uma cara que me fez pensar que eu seria reprovada ali mesmo. Sem hesitar, ele respondeu "bom, se há para vender é por que há quem queira comprar". Fiquei indignada com isso! Tive de rebater "professor, então não é hipocrisia das auto-escolas jogarem toda a culpa em cima dos motoristas e do governo? De fato as pessoas precisam se conscientizar, mas a mudança não deveria começar por quem educa os futuros motoristas?".
Ele me encarou e disse "é, deveria" e prosseguiu com a aula.
O pior não é a venda de cartas, é a cara de pau de alguns professores que no início das aulas mostram números e estatísticas e acusam a torto e a direito, mas na hora de fazer algo justo, dá adeus à ética.

"Alô, ética? Ta fazendo falta, amiga!"
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